estudando

Existe uma “língua mais difícil”?

Como eu falo mais de uma língua estrangeira, sempre escuto perguntas do tipo “é muito difícil?”, ou “o que é mais difícil, inglês ou francês?” – essa eu escutei de todos os alunos nos primeiros dias de aula. E, agora, “coreano é bem mais difícil do que francês ou inglês, né?”.

(É.)

difícil

Se vocês fizerem uma pesquisa rápida, vão encontrar centenas de artigos sobre as línguas mais difíceis do mundo, e nessas listas vão estar línguas antigas, línguas asiáticas e africanas, línguas tribais da América do Sul, etc. Os mesmos artigos vão dizer que espanhol ou italiano são línguas fáceis. E eu entendo o ponto, mas acho que é importante dizer o que nenhum desses artigos diz: espanhol e italiano são “fáceis”, e as línguas asiáticas, africanas ou tribais são “difíceis”, porque a gente fala português. E só por isso.

A dificuldade de aprender uma língua nova tem relação com as línguas que a gente já fala. Espanhol tem uma gramática parecida com o português, mais palavras parecidas com o português. Isso não quer dizer que aprender espanhol é super fácil, ou que espanhol é só um português enrolado (você já pensou isso, eu sei). Quer dizer que a gente tem alguma facilidade.

Percebem? A gente tem alguma facilidade. Mas uma pessoa que nasceu e cresceu em um ambiente que fala alguma das tais línguas africanas classificadas como a mais difícil do mundo pode achar que espanhol é a língua mais difícil do mundo. E português também.

Além disso, cada língua tem particularidades, sutilezas, diferenças que a tornam mais difícil ou mais fácil para alguém. Se vocês querem saber:

Inglês foi fácil porque eu nem senti. Fiquei bastante impressionada quando tive uma boa nota no teste de proficiência. Eu não estudo inglês desde a escola – onde o ensino de inglês era daquele jeito que vocês conhecem. Por outro lado, não sei regras gramaticais, não sei escrever muitas coisas que eu falo, não sei pronunciar o “th”.

Francês tem muitas coisas parecidas com português, tanto na gramática quanto no vocabulário, porque é uma língua latina. Mas a pronúncia foi bem ruim de aprender. E relacionar a pronúncia com a escrita, então, demorou bastante. Segurança para falar francês em voz alta foi uma coisa que eu ganhei na marra, sabe. Complicadíssimo.

Coreano tem uma gramática muito mais simples do que a de português, sério. Conjugar verbos é maravilhoso em coreano. O alfabeto é simples, fonético, pode ser aprendido em uma sentada. Mas aprender vocabulário, pronúncia e as mil e uma diferenças culturais (que influenciam na língua) me ocupa um tempo pesado todos os dias.

Mas eu gosto de estudar línguas. Acho que a gente aprende mais do que parece que vamos aprender. E sempre tem mais para estudar – nunca termina, nunca!

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